Considerado um dos grandes talentos de sua geração, Jonh Galliano trabalhou por 15 anos na Maison Dior antes de ser demitido em março de 2011 por seus comentários antissemitas. Após três anos e meio, o famoso e polêmico estilista britânico John Galliano voltou ao mundo da moda via Maison Margiela em janeiro de 2015.
Antes de comentar o desfile de alta- Costura da Maison Margiela, apresentado no dia 25 de janeiro, quero voltar no tempo para contar um pouco a respeito da história e DNA da Grife Margiela.
O costureiro Martin Margiela, que lançou sua grife em 1998 e permaneceu nela até 2008, criava peças com proposta menos comercial e contra a sociedade descartável, mantendo o tom desconstrutor e lançando mão do surrealismo, da criação artística e da sustentabilidade, muitas vezes reutilizando peças de formas diferentes (proposta hoje intitulada como upcycling). Ele propagava que as criações eram resultado de um trabalho de equipe, por isso abria mão de assinar a coleção e assumir o papel de estrela, fugindo dos holofotes.
Margiela foi contemporâneo dos chamados Seis da Antuérpia, costureiros belgas formados pela escola de moda da Real Academia de Belas Artes da Antuérpia, conhecidos por revolucionar a moda em 1988, quando desembarcaram na Inglaterra para apresentar suas coleções com estilo descontrutivista na semana de moda de Londres.
Diante da história da grife Martin Margiela, fica fácil entender porque Jonh Galliano foi convidado pelo empresário Renzo Rosso para assumir a direção criativa da grife a partir das coleções de 2015, com total liberdade para criação. Renzo é dono do conglomerado Only the brave , que reúne as grifes Diesel, Viktor & Rolf, Marni e Maison Martin Margiela , que passou a partir de então ser chamada Maison Margiela.
Mantendo a tradição do fundador da grife, Galliano continua sem assinar as coleções da Maison Margiela, apesar de ser o diretor artístico da grife.
Voltando ao desfile da alta-costura apresentado na semana de Alta-Costura de Paris, reconhecemos elementos do DNA da marca, como a desconstrução das peças, e o surrealismo.
Outro parêntese …
O surrealismo foi um movimento artístico cuja fundação ocorreu em Paris em 1924, com a publicação do primeiro manifesto surrealista, uma crítica ao racionalismo e ao materialismo da sociedade ocidental. Influenciados por Freud, os surrealistas buscaram revelar o potencial criativo do subconsciente, com propensão para o escapismo, a fantasia e o deslocamento, ou seja, a colocação de um objeto ou imagem em local estranho e chocante.
E na coleção de Galliano para Maison Margiela, vemos esses elementos de desconstrução e surrealismo utilizados de forma técnica impecável, com criatividade, e até mesmo poesia:
Esse desfile com certeza cria imagens de moda que inspiram ! A adoção no dia a dia de alguns desses elementos pode ser feito por pessoas com estilo moderno e criativo, que não tem medo de ousar, de se destacar e chamar atenção na multidão, por seu estilo único e dramático.
O artista que colaborou com a coleção, Benjamin Shine, nasceu em Londres e estudou moda no The Surrey Institute of Art and Design e na Central St Martins. Sua técnica mais conhecida consiste em pegar um corte de tule e ir dobrando-o e amassando-o até esse formar uma figura, como a imagem do rosto na roupa branca desfilado.
Em relação as cores, a predominância é do vermelho, mas também vemos bastante preto e um pouco de branco.
Com certeza esse desfile representa a alta-costura, ao sair do óbvio, criar fantasia, desejo e inspiração.
E você? o que achou do desfile? gostou de saber a respeito do desconstrutivismo belga e do surrealismo? Gostaria de vestir uma peça que te transporte para uma outra realidade? Conta pra gente !





















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